“Estavas mesmo hipnotizada?! Aquilo é real?” – tudo sobre a minha participação no programa DivertidaMente

Foi ontem emitido na SIC o meu episódio do programa DivertidaMente e, a par de muitas gargalhadas, surgiram também muitas perguntas entre as pessoas que me conhecem – “Vocês tinham um guião?”, “Aquilo é mesmo verdade?”, “Estavas mesmo hipnotizada?”, “Lembras-te de alguma coisa?”. Todos os envolvidos no programa – nós participantes incluídos – sabiam que o programa ia dar que falar por abordar um tema que, apesar de não ser novo, ainda está envolto em muito mistério e misticismo: a hipnose. Para desmistificar um pouco o tema, como se desenrolou o programa o que tenho a dizer enquanto participante, decidi escrever este artigo em que vos conto tudo!

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imagem: produção DivertidaMente

A FASE DOS CASTINGS

A minha participação no programa começou em dezembro, quando preenchi o questionário de inscrição depois de ver o anúncio na televisão para “o novo concurso televisivo da SIC com desafios físicos e mentais” (qualquer coisa assim). Por essa altura não sabia que se tratava de um programa de hipnose, simplesmente queria ter a experiência de participar num programa de TV e conhecer os bastidores.

Em janeiro fui convocada para o primeiro casting. Aí sim, por complicações de saúde que pudesse ter (epilepsia, problemas de coração…), fui informada de que se tratava de um programa em que os concorrentes iriam ser submetidos a um transe hipnótico e, caso eu aceitasse essa condição, poderia participar no casting.

Quando fui contactada fiquei hesitante porque me lembrei logo daquele tipo de programas em que nos colocam a mexer em aranhas, cobras e outro tipo de bichos que me causam alguma aversão. Também não sabia o que podia esperar de mim hipnotizada: e se eu me pusesse a dizer coisas que não devia ou que me deixassem constrangida a mim e a quem conheço?!

Depois de me passarem pela cabeça todo este tipo de dúvidas, decidi arriscar e ir ao casting a Lisboa para perceber melhor do que se tratava o programa. Se não me sentisse confortável, podia sempre recusar-me a participar!

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imagem: produção DivertidaMente

Nesse casting eu e os restantes participantes fomos submetidos ao que a produção chamou de “Teste de suscetibilidade”: consistia em sermos hipnotizados para que percebessem até que ponto somos receptivos à hipnose e como nos comportamos em transe hipnótico. Foi nesse dia que conheci o hipnotizador do programa, José Tejada, não apenas no dia das gravações como algumas pessoas achavam. A questão de ele falar espanhol não foi grande obstáculo para mim, até porque algumas palavras ele adaptava para português e dava para entender. Consegui concentrar-me o suficiente nas palavras e voz dele para relaxar e entrar no que acho que foi um transe hipnótico.

Digo ‘acho’ porque nunca fui hipnotizada antes para poder comparar. Senti-me num estado alterado entre “cá e lá”, muito relaxada, como se o tempo tivesse parado e eu tivesse “apagado”.

Quando acordei da experiência lembrava-me de pouco, como se tivesse acordado de um sono e só tivesse alguns flashes do que tinha estado a “sonhar”. Lembro-me, por exemplo, de ter estado a ver um filme de comédia e de sentir uma grande vontade de rir, como se fosse a coisa mais divertida que alguma vez tinha visto! Na verdade não havia filme nenhum, apenas a voz do José a convencer a minha mente de que isso era real. Essa experiência foi suficiente para querer saber mais sobre a hipnose e, com isso, participar no programa!

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imagem: produção DivertidaMente

Apesar de não saber ao certo o que fiz naquelas horas de casting, pelos vistos correu bem porque em Fevereiro fui convocada para o segundo e último casting. Aí contactei pela primeira vez com o grupo com quem iria participar no programa, li e assinei o regulamento – sem estar hipnotizada, claro! ahahah – e fiquei a saber de todas as condições (da cedência dos direitos de imagem, do tipo de jogos que poderíamos ter de desempenhar, do valor do prémio, como seria atribuído…) ou seja, não houve nada que me fosse ocultado e estive sempre a tempo de recusar participar se não concordasse com algum dos termos.

Decidi participar por iniciativa própria, ninguém me sugeriu que o fizesse, e muito menos fui “contratada como atriz” (que não sou). Qualquer pessoa maior de 18 anos podia inscrever-se no DivertidaMente, quer para participar, quer para assistir na plateia.

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imagem: produção DivertidaMente

O DIA DA GRAVAÇÃO DO EPISÓDIO

No dia 26 de fevereiro gravei o meu episódio do DivertidaMente no Estúdio Valentim de Carvalho, em Paço de Arcos. Estava super entusiasmada e curiosa, mas consegui manter-me calma durante grande parte do tempo, o que acho que ajudou a voltar a entrar em transe hipnótico.

Quando chegámos foi-nos explicado como se iam desenrolar as gravações e ficámos com uma ideia dos jogos que tínhamos de jogar, sem saber em concreto o que cada um de nós iria fazer quando estivesse hipnotizado. A nossa performance dependeria sempre de nós, sem sugestões da produção e sem guiões, apenas teríamos de obedecer às “ordens” que o José nos atribuía e desempenhá-las à nossa maneira.

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imagem: produção DivertidaMente

Antes de cada jogo o José hipnotizou-nos numa sala dos bastidores e atribuiu-nos as “ordens” individuais e coletivas para esse jogo. Só depois disso é que subíamos ao palco, ele reforçava a ordem atribuída e nós começávamos a jogar. Sentávamo-nos nas cadeiras, ele “desactivava a ordem”, nós voltávamos para os bastidores e começava tudo outra vez. Na televisão não se vê este processo completo, porque entre cada jogo fazíamos pausas de quase 1h nos bastidores para a descansar, comer alguma coisa, ir à casa de banho, esperar para ser chamados e a voltar a ser hipnotizados.
Claro que durante as gravações (que duraram quase 10h) não estive hipnotizada o tempo todo, apenas quando ele me hipnotizava para o jogo e enquanto estava a jogar. Nos restantes espaços de tempo lembro-me do que aconteceu e o assunto dominante entre nós, participantes, era: “O que será que estive a fazer? Espero que esteja a correr bem!”. Nisso a produção foi cinco estrelas, sempre a assegurar-se de que estavámos bem, de que não nos faltava nada e que podíamos continuar. Havia também dois participantes suplentes, caso algum de nós não estivesse em condições de jogar.

Só através das indirectas do Manzarra, dos nossos breves flashes e de algumas marcas em nós (de tinta, molhado, sujo…) é que conseguíamos ter uma noção do que acontecia em palco. O pessoal da produção, que estava sempre connosco nos bastidores, não nos contava o que tinha acontecido, apenas garantia que estava a correr bem e que estava a ser muito divertido.

Era também nestes intervalos que acontecia algo que deixa as pessoas de fora muito intrigadas: como é que nós, em palco, nos sujávamos e, logo no jogo seguinte, estávamos impecáveis? Nos bastidores a produção andava sempre de volta de nós a retocar maquilhagem e cabelo e a indicar-nos para trocar de roupa (por outra muito semelhante, que já tinha sido preparada) caso fosse necessário.

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imagem: produção DivertidaMente

Não há muito mais acerca das gravações que vos possa contar, porque de facto eu não me lembro bem do que aconteceu, estaria só a especular. Esta é uma consequência do processo de hipnose: o José “apaga” o nosso consciente e fica apenas o subconsciente a comandar. Estamos lá nós a jogar, mas não somos nós verdadeiramente. É difícil explicar e por isso entendo que haja tantas dúvidas e cépticos! Só quem passa pela experiência é que pode saber realmente como funciona.

Concluídos os 5 jogos (incluindo o último, em que soubemos na hora quanto tínhamos ganho) tivemos oportunidade de ver algumas partes das gravações e reagir. Nesse momento as expectativas estavam lá em cima porque, até nos vermos na televisão (não sabíamos data, ainda), só tínhamos essas imagens para saber o que aconteceu realmente em palco! Foi muito surpreendente e serviu para “juntar algumas peças do puzzle” – por exemplo: no fim do primeiro jogo fiquei com a sensação de que tinha sido muito dura e crítica com os meus colegas, ao ver as imagens percebi como e porquê.

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imagem: produção DivertidaMente

QUANDO FINALMENTE ME VI NA TELEVISÃO

Para ver a emissão do meu episódio criei cá em casa as condições mais arriscadas possíveis: reuni alguma família para jantar e assistirmos o programa juntos! Sim, eu não sabia o que esperar de mim no episódio, mas não acreditava que fosse tão constrangedor ao ponto de ter de me esconder das pessoas. Quis ter algumas das mais importantes comigo para nos rirmos juntos e anunciei na minha página de Facebook pessoal e do blogue quando o episódio ia ser transmitido.
Passaram quase 2 meses desde a gravação do programa por isso, através daqueles pedaços de gravação que vi, alguns flashes que insistia em recordar, alguns spoilers do Zé (que ficou a assistir na primeira fila da plateia) – “Disseste um palavrão em palco!”, “Erraste uma pergunta sobre o filme ‘O Padrinho’ que foi imperdoável!”, “Andaste lá a correr a cavalo” – e da publicidade ao programa nas redes sociais e na TV, eu já sabia mais ou menos o que esperar. Ainda assim havia muita coisa que eu não sabia que ia acontecer e foi memorável! Adorei saber que andei às cavalitas do Manzarra, por exemplo! ahahah

Muitas pessoas me disseram que teve de acontecer alguma coisa para eu ter ficado tão diferente do que sou, e eu realmente não me revejo naquela Sara! É como se em cada jogo revelasse um alter-ego meu que não conhecia até agora.

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imagem: produção DivertidaMente

O QUE LEVO DESTA EXPERIÊNCIA

Sem dúvida que, desde os castings ao dia da gravação, esta foi uma experiência incrível! Além de me ter permitido sair da minha zona de conforto e atirar-me de cabeça a uma ciência que eu desconhecia, tive a prova de que a nossa mente é capaz de coisas extraordinárias!

Para mim a hipnose não é mais do que um estado de relaxamento profundo em que damos asas ao nosso lado mais criativo, sem complexos, sem pensar antes, sem medos… simplesmente nos permitimos ser e fazer o que quisermos ou, neste caso, o que nos convencem a fazer.

Estive realmente hipnotizada? Acredito que sim, porque realmente aquela não era eu no meu estado normal nem era eu a representar. Depois há o mistério de não me lembrar a 100% do que aconteceu, como se me tivessem apagado essa informação da cabeça! É assustador mas, por outro lado, fascinante e dá vontade de saber mais acerca do universo da hipnose.

Tal como nos foi explicado no primeiro casting, nem toda a gente é susceptível à hipnose, é preciso um grande poder de concentração que, no meu caso, penso ter adquirido em parte através das minhas experiências de meditação e também porque, nesta altura, andava a ler o livro d’O Poder do Agora que nos ensina a viver no presente. Mas quem tem curiosidade e quer desmistificar o programa e o tema da hipnose por si mesmo, aconselho a participarem se houver uma segunda temporada! Não há nada a temer nem nada a perder, a produção é impecável e não permitiu em momento algum que nos sentíssemos desconfortáveis.

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imagem: produção DivertidaMente

Por falar na produção, esta minha experiência permitiu-me também conhecer um pouco do backstage de um programa de televisão. Por isso, uma das memórias que levo mais vívidas é que é preciso uma equipa enorme, dedicada e muito bem organizada para realizar algo assim. Sem dúvida que todo o pessoal da produção merece o meu agradecimento e admiração por serem tão prestáveis, atentos aos detalhes e dedicados, sem eles os programas que vemos na TV, e que nos parecem tão simples e rápidos, não seriam possíveis com a qualidade que chegam até nós!

Agora que o programa foi transmitido e foi fechado o ciclo desta aventura, o balanço que faço é muito positivo. Estou orgulhosa de mim mesma por me ter permitido experimentar algo assim (era tão improvável eu participar que, toda a gente a quem contei, ficou super surpreendida!), por ter passado por todas as etapas até ao fim e, claro, por me ter divertido tanto! Fica a boa recordação e o entusiasmo para continuar a arriscar em experiências fora da minha zona de conforto! 😃

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imagem: produção DivertidaMente

Podem ver aqui o meu episódio completo.