Comprar de forma consciente: distinguir ‘preço’ de ‘valor’

Penso que foi desde os meus 2 meses de abstinência de compras que comecei a ter mais consciência de que existe uma grande diferença entre o preço e o valor de um determinado artigo. Perceber o que distingue as duas coisas permite-nos 1) fazer compras mais conscientes 2) evitar desperdiçar dinheiro. Neste post falo-vos desta relação ‘preço vs valor’ que, de certa forma, acaba por estar relacionada com um estilo de vida minimalista e, por isso, menos consumista!

ERRO: Compras de impulso para nos sentimos melhor (preço)

Quem nunca?

Volta e meia todos temos aqueles dias em que nos sentimos em baixo e aborrecidos. Muitas vezes, como forma de distração e compensação pessoal, só pensamos numa coisa: ir para o centro comercial ver lojas e comprar alguma coisa que nos deixe mais animadas. Been there, done that e, de todas essas vezes, percebi uma coisa: não compensa. No momento ficava super empolgada por comprar algo novo mas, assim que chegava a casa, sentia-me miserável por ter gasto dinheiro numa coisa que não precisava e não desejava assim tanto.

Essa situação repetiu-se mais vezes do que eu desejava porque a ideia de que comprar algo nos vai fazer mais felizes é uma ilusão que a sociedade nos vende diariamente – sejam as marcas ou as pessoas próximas de nós. Temos de ser fortes o suficiente para perceber que a verdadeira felicidade – ou pelo menos aquela que queremos sentir no momento – não se obtém através de compras materiais e muito menos de compras por impulso.

SOLUÇÃO: Fazer algo por nós (valor)

O que podemos fazer em momentos assim para nos sentirmos melhor e não sofrer arrependimentos? Claro que estamos tão desesperadas que queremos uma solução imediata e não aquele exercício de guardar o dinheiro que iríamos gastar e fazer uma viagem com ele – que também é muito válido, mas neste caso exige uma força de vontade maior e implica ter de esperar.

Existem várias opções, estas são algumas das que agradarão à maioria de nós: fazer uma massagem, ir ao cabeleireiro, lanchar/tomar café com uma amiga ou com aquela pessoa a quem prometemos um encontro que nunca mais aconteceu, dar um passeio num sítio que gostamos ou que queremos conhecer, ir ao cinema, ver uma exposição.

Estes são exemplos que custam pouco dinheiro e que se baseiam na ideia de fazer algo em vez de comprar algo, que é muito mais recompensante. Ao mantermo-nos afastadas de espaços comerciais conseguimos evitar o impulso de ser consumistas e, com isso, evitar desperdiçar dinheiro em coisas materiais que não nos acrescentam assim tanto.

Como equilibrar as variáveis ‘preço ‘ e ‘valor’ e garantir boas escolhas

Se ainda assim não conseguem acalmar a vossa ânsia de comprar alguma coisa, experimentem fazer os dois exercícios abaixo que têm resultado muito bem comigo.

Imaginem o seguinte cenário: estão vocês na vossa loja de moda preferida, com umas sapatilhas nas mãos e confrontados com aquele impasse torturante de pensar se compram ou não. Por um lado essas sapatilhas parecem-vos as sapatilhas mais importante do mundo nesse momento, por outro lado sabem que estão novamente a ser precipitados e que provavelmente vão arrepender-se da compra. Nesse mesmo instante experimentem o primeiro exercício mental:

  • Exercício 1 – Concentrem-se no preço dessas sapatilhas e tentem associá-lo ao valor que elas terão para vocês: vão acrescentar-vos alguma coisa? São realmente uma peça que está a fazer falta no vosso roupeiro? Vão sentir-se melhor depois de as comprarem? Vão dar-lhes uso? Se a resposta a todas essas questões é não, por mais que vos custe no momento a solução é deixar as sapatilhas na loja. Verão que, quando já não estiverem embrenhadas nessa aura da consumismo, irão perceber que foi a escolha mais acertada. Se ainda assim não resultar, avancem para o segundo exercício:
  • Exercício 2 – Voltem a concentrar-se no dinheiro que iriam dar por essas sapatilhas e pensem noutras coisas que poderiam pagar com ele: uma refeição no vosso restaurante preferido, uma massagem, ingredientes saudáveis que ainda não compraram porque acham caros, compras de supermercado, um livro que está na nossa wishlist, algum artigo que realmente está a fazer-vos falta, um presente para alguém que faz anos entretanto ou que querem surpreender.

Para que este exercício faça ainda mais sentido, e se realmente estão dispostos a gastar esse dinheiro, troquem nesse mesmo instante a compra das sapatilhas por uma das outras opções que podem pagar com o preço delas. No final perceberão que vale muito mais a pena porque qualquer uma dessas opções é mais gratificante que uma compra de impulso e, possivelmente, as sapatilhas até irão parecer-vos caras depois disso.

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Estes exercícios são válidos quer para possíveis compras em lojas físicas quer para compras em lojas online. Tenho vindo a colocá-los em prática sempre que me sinto tentada a comprar alguma coisa que não é um bem de primeira necessidade. Com isto tenho conseguido poupar dinheiro, fazer escolhas mais conscientes e seguir um estilo de vida mais minimalista – porque menos compras de impulso significam menos tralha.

Se o vosso objetivo for poupar dinheiro, aconselho-vos a aplicação Boonzi: nela podem anotar todas as vossas despesas e, com isso, perceber onde estão a gastar dinheiro de forma inútil. Sigam este link (link de afiliado) e usem o código ss20 para terem desconto na subscrição deste serviço.

Interiorizem esta diferença entre o preço de um artigo e o valor que ele representa. O primeiro é meramente uma referência comercial, já o segundo implica um simbolismo e é nisso que temos de nos concentrar: no valor/importância que esse determinado artigo terá para nós e na nossa vida. Verão que, com estes exercícios, tornar-se-á mais fácil fazer escolhas! 😀